Compassos irregulares e mistos

Conteúdos prévios que o aluno deve dominar:

  • Figuras musicais, razões proporcionais entre elas.
  • Pauta
  • Compasso
  • Fórmula de compasso
  • Compassos simples e composto
  • Acentuação métrica

Teoria Musical

Para entendermos os compassos alternados e mistos na teoria, primeiramente iremos dar uns passos para trás para compreender alguns conceitos fundamentais anteriores.

Irão ser tratados: Compasso, Fórmula de Compasso e Compassos simples e composto. Então se você já conhece esses conceitos pode ir direto para o conceito “compassos alternados”.

O que é compasso?

Compasso é o espaço entre duas linhas que cortam um pentagrama verticalmente, nele são colocadas às figuras musicais nas suas diferentes alturas e durações que ditarão como será o ritmo naquele compasso, o que delimita quantas e quais figuras cabem nesse compasso é a fórmula de compasso.

No livro Teoria da Música de Bohumil Med encontramos mais algumas explicações sobre o “compasso” (MED, 1996, p.114).

  1. É a divisão de um trecho musical em séries regulares de tempos
  2. É o agente métrico do ritmo
  3. É a unidade métrica musical formada por grupos de tempos iguais
  4. É um trecho musical no qual há uma alternância regular de tempos fortes e fracos
  5. É o espaço entre duas barras
  6. Os compassos são separados por uma linha vertical, chamada de barra de compasso ou travessão.

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Figura 01 (MED, 1996, p.114)

 

O que é fórmula de compasso?

Fórmula de compasso são dois números que indicam a unidade de tempo e o número de tempos do compasso (LACERDA, 1967, p.19).

Nessa fração temos o denominador (número inferior, também conhecido como unidade de tempo) que indica qual figura vale um tempo dentro do compasso.

E o numerador (número superior) que indica quantas figuras indicadas pelo denominador cabe nesse compasso, logo, quantos tempos cabem nesse compasso, é também conhecida como unidade de compasso, ou seja, representa uma figura que sozinha preenche o compasso todo.

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Figura 02 (autoria própria)

A Figura 03 nos ajuda a determinar qual figura representa o denominador.

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Figura 03 (LACERDA, 1967, p.19)

Ex: Considerando a fórmula de compasso da Figura 02, o denominador é 4, então a semínima valerá um tempo nesse compasso. Logo, nesse compasso cabe no máximo o valor de duas semínimas como indica o numerador “2”.

No livro de Teoria da Música, Bohumil trás a definição de fórmula de compasso da seguinte maneira, (MED, 1996, p.117).

“Colocada no começo de cada peça musical, indica, geralmente por número em forma de fração, o tamanho do compasso e também sugere as possíveis interpretações. O numerador indica quantas figuras cabem no compasso e o denominador a sua espécie.”

Classificação dos compassos

No livro do Bohumil ele separa a teoria dos compassos em duas formas, chamando de teoria francesa e alemã dos compassos. A que abordaremos no blog será a francesa por ser a teoria utilizada no Brasil.

Na teoria francesa os compassos são classificados em simples, compostos, correspondentes alternados (irregulares) ou mistos.

Compassos Simples: São os compassos em que o numerador da fórmula de compasso é representado por 2, 3 ou 4.

“é aquele que tem por unidade de tempo uma figura simples (não pontuada). Apresenta como característica principal uma subdivisão binária ou quaternária dos seus tempos”. (MED, 1996, p.122)

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Figura 04 (MED, 1996, p.122)

Exemplos de compasso simples:

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Figura 05 (CULTURA MIX, 2019)

Compasso Composto: São os compassos em que o numerador da fórmula de compasso é representado por 6, 9 ou 12.

“É aquela que tem como unidade de tempo uma figura composta (pontuada). Apresenta como característica principal uma subdivisão ternária dos seus tempos”. (MED, 1996, p.122)

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Figura 06 (MED, 1996, p.122)

Exemplos de compasso composto:

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Figura 07 (CULTURA MIX, 2019)

Finalmente chegamos aos conceitos de compasso alternado (irregular) e misto, e agora que temos uma base mais sólida da teoria musical podemos continuar a linha de raciocínio. 

Compasso alternado (Irregular) (MED, 1996, p.123).

São compasso formados pela união de dois ou mais compasso diferentes executados alternadamente”.

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Figura 08 (MED, 1996, p.123)

Na Figura 08 na primeira pauta vemos a fração (5/4), ela é a união de dois compassos, esses compassos são (3/4 + 2/4), somando os numeradores e mantendo os denominadores achamos o compaaso (5/4).

Na segunda pauta vemos a fração (7/8), essa fórmula de compasso é a união de três compassos, (2/8 + 3/8 + 2/8), somando os numeradores e mantendo os denominadores achamos o compaaso (7/8).

1º exemplo – Take Five, Dave Brubeck

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Nesse exemplo podemos ver que a fórmula de compasso é 5/4, que é a soma dos compassos 3/4 (indicado em vermelho) + 2/4 (indicado em azul), o compasso 2/4 é como se fosse um impulso para o próximo compasso.

2º exemplo – Dave Brubeck

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Esse 2º exemplo de compasso alternado podemos ver que a música é em 9/8 que é a soma de 2/8+2/8+2/8 (indicado na cor vermelha) +3/8 (indicado na cor azul). E no 4º compasso temos um 9/8 composto 3+3+3 (indicado na cor rosa).

Compassos Mistos

São compassos com fórmulas de compasso diferentes sendo executados ao mesmo tempo.

Por consequência causa polirritmia, ou seja, mais de um ritmo sendo executado ao mesmo tempo.

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Figura 09 (MED, 1996, p.125)

(MED, 1996, p.125) “São compassos de espécies diferentes sendo executados simultaneamente”.

Exemplo – Enigma Variations, movimento V, Edward Elgar.

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Neste exemplo de compasso misto podemos ver  que a formula de compasso de alguns instrumentos é em 12/8 e outros vemos que a fórmula de compasso é 4/4 (como é indicado em amarelo). No 2º compasso visualizamos que alguns instrumentos tocam três notas dentro do tempo e outros tocam duas notas (indicado em vermelho), nos dando um exemplo de polirritmia.

Referências:

CULTURA MIX. Fórmula de compasso simples e composto. 2019. Disponível em: <https://musica.culturamix.com/cifras/formula-de-compasso-simples-e-composto&gt;. Acesso em: 19 de junho de 2019.

LACERDA, Osvaldo. Compêndio de Teoria Elementar da Música. 3º ed.; São Paulo, Ricordi Brasileira, 1967.

MED, Bohumil. Teoria da Música: 4° ed. rev. e ampl; Brasília, DF; Musimed,1996.